No meu tempo não era assim, mas as coisas mudaram!
Ainda esta semana tive o prazer de cumprimentar A pessoa que me ensinou a ler, escrever e a contar. Por uma questão de respeito, não encontrando agora outra razão racional, interpolei-A com um: “boa tarde senhora professora!” - retribuído com um semblante de espanto mas simultaneamente de agrado.
Ao longo do meu percurso académico foi sempre o respeito que pautou a minha condição de Aluno independentemente da prestação do profissional de educação (ressalve-se a diferença entre profissional de educação e Professor). É este o segredo que justifica o interesse daqueles que foram meus mestres, no percurso quer académico quer pessoal, que percorri depois de lhes “passar pelas mãos”.
Mas as coisas mudaram!
No tempo que apelido de meu não existia o desprendimento da responsabilidade social que se verifica nos dias de hoje, nem tão pouco a feroz dependência de gadgets, em particular do telemóvel.
Do muito que já se falou deste episódio julgo ter ficado à margem da análise dos entendidos a génese da ira da aluna: a dependência.
As novas tecnologias fazem agora parte da infância das novas gerações.
Cedo são presenteados com telemóveis que consequentemente, muitas vezes ainda antes de saberem escrever, os introduzem na troca de SMSs. Mais tarde ou mais cedo surge a internet e com ela o IM, redes sociais e outras formas de “contacto social”.
Privados destes meios, muitos não sabem comunicar e portanto, como qualquer ser em privação são capazes de lutar pelo bem desejado.
Os pais “à moda antiga” estão a chegar ao fim e por isso parece-me chegada a altura dos “educólogos” reverem os moldes da educação paterna e, se necessário, apostar na formação/educação dos pais dos séculos vindouros.
Voltando ao caso que pretendo analisar, é ainda de destacar o facto de a Professora ter omitido a situação à entidade reguladora da escola, o que é também um sinal do estado actual da educação.
À parte as recentes manifestações dos professores, é este acontecimento revelador da insegurança que este grupo de profissionais vive.
Cada vez mais os pais, na sua generalidade sem quaisquer aptidões pedagógicas, intervêm no processo educativo questionando sem qualquer critério as metodologias aplicadas. Deste processo interventivo resulta uma instabilidade que coloca em causa a prestação dos Professores que, para além da diversa burocracia inerente à sua actividade, têm ainda de agradar os pais para que estes não sejam um problema.
Sendo a educação um ponto basilar na formação dos indivíduos é imperativo que esta seja debatida pelas altas esferas de forma a reencontrarmos o molde ideal.
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COMMENTS / 2 COMMENTS
Carlos Afonso added these pithy words on Mar 21 08 at 14:36Eu ainda me lembro dos nomes das minhas professoras da primária, com excepção da professora da 1ª classe. A senhora era de origem goesa e era víuva há pouco tempo ficando muito tempo a chorar, quando isso sucedia ninguém se punha a fazer baderna, quando muito um aluno ou uma aluna ía buscar a directora ou o director o Sr. Santos. Depois e por ordem tive a D. Rosa, a D. Carlota e a D. Margarida.
Acho que não são só as altas esferas que têm que debater/discutir o assunto, essas têm vindo a fazê-lo nos últimos 50 anos e têm sendo andado a traz do carro, sem condutor, que está desgovernado a descer um declive.
Os pais têm claramente que pensar seriamente nos seus rebentos. Não basta providenciar os bens materiais é necessário algo mais.
Também é necessário uma esperança de um futuro melhor e não um futuro tirado à imagem da geração dos 500 euros ou da massa chinesa (algo ainda pior).
É necessário que se queira aprender e aprender a aprender.
PauloASilva added these pithy words on Mar 21 08 at 15:38@Carlos: Ao longo da minha instrução primária tive uma única Professora, de sua graça Clara.
Nos dias que correm isto é um acontecimento raro e digo-o com conhecimento. Tenho um irmão mais novo que experienciou durante os primeiros quatro anos de escolaridade 5 Professoras, chegando a ter, no mesmo ano, trocado mais do que uma vez.
Esta inconstância reflectiu-se numa debilidade extrema que o levou a enfrentar sérias dificuldades em níveis mais avançados.Da experiência de acompanhar a educação do caçula, tive ainda o “privilégio” de o ver intimado a facultar os seus cadernos diários e a prestar declarações num processo instaurado por uma encarregada de educação. Segundo a queixosa a professora gritava com os meninos e exagerava nos trabalhos de casa.
O que se assistiu nos vários canais televisivos, e um pouco por toda a internet, é um trabalho de casa dos pais/encarregados de educação débil. É aí que começa a educação, hoje com regras muito ténues não vão os pais ser processados por agressão.
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