Portugal encontra-se mergulhado num período de recessão económica que tem conduzido ao encerramento de várias unidades de produção e ao despedimento/dispensa de milhares de trabalhadores.
A par desta situação não podemos esquecer-nos que as nossas escolas continuam a formar indivíduos que esperam ser integrados no mercado de trabalho a curto/médio prazo. Uns procuram a sua oportunidade no estrangeiro mas há ainda quem queira ajudar a re-erguer a sua nação.

Como estou convicto que, mais do que tudo, os Portugueses estão mergulhados numa onda de pessimismo que muitas vezes se revela a maior barreira entre a actual situação e o passo que falta para a inverter, decidi partilhar numa série de posts aquilo que está a ser a minha entrada no mercado de trabalho.

  1. Procura de Emprego
    1. O “Antes”
    2. Curriculum Vitae
      1. Morada(s)
      2. Correio(s) Electrónico(s)
    3. Carta de Apresentação
    4. A Procura

O “Antes”

A forma mais sucinta de descrever o meu percurso está compilada e disponível aqui (formato HTML) ou com maior detalhe em versão PDF (ou ODT).

Importa, para este post, apresentar o background que corresponde ao passado recente: finalista da Licenciatura em Ciências da Computação na Universidade do Minho (duas unidades curriculares em falta para obtenção do grau) e um ser pró-activo1 por natureza.

Uma vez não cumprido o objectivo pessoal de terminar a Licenciatura no ano lectivo 2008/2009 iniciei a procura de uma actividade a tempo inteiro que pretendo conciliar com as das unidades curriculares a realizar no período de Fevereiro a Junho de 2009.

Curriculum Vitae

Não preciso dedicar qualquer parágrafo deste post a explicar como redigir um Curriculum Vitae uma vez que este é um “tópico quente” debatido amplamente por essa web fora.

Pessoalmente optei pelo Modelo Europass que veio substituir o CV Europeu em 2002, ao qual fiz algumas alterações estruturais de forma a ir de encontro a necessidades específicas (ex. pormenorização das competências informáticas).
Ainda assim é importante deixar algumas recomendações que são agora fruto de uma aprendizagem de campo:

  • Morada(s): Inicialmente no meu CV apenas constava a morada do agregado familiar referente a Santarém, no entanto as candidaturas estavam a ser enviadas para a região norte do país.
    Em caso de “empate” entre dois candidatos e colocando-me no lugar da pessoa responsável pela selecção, optaria por aquele que tivesse a sua vida estabilizada na região geográfica mais próxima. Assim, passei a incluir também a morada da residência que mantenho na cidade onde estudo (geograficamente mais próxima das possíveis entidades empregadoras).
    Pode isto parecer irrelevante mas no decorrer desta série de posts voltarei a fazer uma adenda a esta questão.
  • Correio(s) Electrónico(s): Não sendo apologista da indicação de mais do que um endereço optei (nas primeiras candidaturas) por fornecer o meu endereço “público” (disponível também para contactos no blog).
    Embora não o julgue inadequado é o endereço que tenho associado aos fóruns, newsletters e mailling lists onde participo o que, pelo fluxo de correspondência, poderia provocar algum atraso na leitura/resposta de uma mensagem prioritária (mensagens de resposta às candidaturas apresentadas). Foi assim substituído por um endereço “privado” que existe exclusivamente para contactos profissionais.
    É (muito) importante alertar que endereços pessoais do tipo cervejolas[arroba]hotmail[ponto]com, paulosilva1985[arroba]gmail[ponto]com, paulosilvaslb[arroba]sapo[ponto].pt entre outros, devem ser evitados sob risco de as mensagens de candidatura serem descredibilizadas ou até consideras SPAM pelos filtros automáticos.

Carta de Apresentação

Em resposta a uma oferta ou mesmo na candidatura espontânea, o CV deve ser acompanhado de uma carta de apresentação: é através desta que nos introduzimos à entidade responsável pela selecção. Em traços gerais desempenha o mesmo papel que um “[aperto de mão] Paulo Silva, muito prazer.”.

Deve ser redigida de forma clara e sucinta remetendo qualquer esclarecimento sobre o candidato para o seu CV ou para um contacto directo (telefone, email ou outro).

Abaixo reproduzo o último email que enviei:

Ex.ma Sr.a,

em resposta à proposta de estágio profissional (cópia em anexo) para a vaga de Analista de Sistemas de Informação divulgada na rede interna da Universidade do Minho, venho por este meio apresentar a minha candidatura.

Frequentei o ensino secundário na vertente Tecnológica de Informática que me conferiu o Nível III da categoria profissional, sendo actualmente finalista da Licenciatura em Ciências da Computação na Universidade do Minho, pólo de Braga, cidade onde resido.

Deste 2004 que desenvolvo soluções web para a internet assim como presto serviços de consultoria em tecnologias LAMP (Linux, Apache, MySQL e PHP).
Em Julho do corrente ano fui convidado a participar no desenvolvimento de um projecto para a Internet no âmbito do qual desempenhei funções de Arquitecto de base de dados e Programador. Em Novembro último concluí com sucesso as minhas funções.

Possuo grande sentido de responsabilidade e, nas funções que tenho desempenhado, dei provas de flexibilidade e iniciativa.

Junto envio o meu Curriculum Vitae, estando disponível para qualquer esclarecimento e/ou entrevista que julgue necessário.

Sem mais de momento.
Subscrevo-me com os melhores cumprimentos
Paulo Alexandre Silva

No que à Carta de Apresentação diz respeito, julgo que a chave do sucesso está numa redacção cuidada: correcção ortográfica e gramatical, boa construção frásica, capacidade de síntese e cordialidade.
É imperativo jogar de forma a que a entidade responsável pela selecção sinta a necessidade de conhecer pessoalmente o candidato, o que garante à partida uma oportunidade de entrevista.

A Procura

Uma vez que, à data de redacção deste post, mantenho o compromisso académico, a área geográfica de procura centrava-se em Braga estendendo-se a cidades adjacentes com boas infra-estruturas de transportes públicos que garantissem acesso fácil à Universidade.

Há quem opte, talvez já numa fase de “desespero”, por o envio em massa de candidaturas espontâneas, no entanto estabeleci que numa primeira fase seria criterioso na selecção das ofertas.
Tive assim como ferramentas os sites ITJobs e Net-Empregos, a plataforma alumniUM e as listas de distribuição interna da UM (Universidade do Minho).

Com esta base, enviei duas cartas de apresentação acompanhadas do CV por via postal e oito emails num período que se estendeu de 8 de Novembro de 2008 a 12 de Janeiro de 2009.
No total das 12 comunicações obtive uma resposta, motivo pelo qual partilho esta experiência na esperança que possa de alguma forma ajudar quem se encontra nesta situação.

1 Desde 2004 que desenvolvo trabalhos na área da Programação Web.